Quando reflito a
capacidade de nos apegarmos a outro ser humano, fico admirado.
Não, porque antes
disso, ao imaginar a hipótese de sequer querer apegar-se
a um ser, já sente arrepios; então continua sua vidinha banal, até que, mesmo
sem pedir, talvez um consentimento inconsciente e incontrolado, e ao mesmo tempo
algum tipo de neurotransmissor lhe fazendo sorrir feito um tolo de todas as
mesmas piadas, eis que surge novamente o apego.
Enfim, são esses
malditos neurotransmissores que fazem aumentar nossa capacidade de raciocínio,
de lembrar pequenos momentos, nos tornar sensíveis ao
perfume deixado na roupa, nos deixar mais felizes; ou seja, uma diversidade de
reações químicas ocorrendo simultaneamente dentro de nós, e por fora, uma paixão
nascendo.
Ah, a paixão.
Quando ela surge, ela traz consigo bons momentos, boas carícias, bons romances,
ótimos jantares, excelentes finais de semana, dias, meses, quiçá, anos; mas algo
é indiscutível, o prazer que ela nos permite viver é registrado, de uma forma
estranha porém prática, em nosso “HD interno” que não é excluído nem mesmo
quando formatado, se é que isso é possível. Por isso que toda
vez que ela nos toma, eu a permito!
O equilíbrio na vida, que
penso eu existir, não permite vivermos altas dosagens de muito amor e felicidade
ou, quando permite, quando termina, ela faz com você volte a realidade, à
sua vida, e tipo, parecia que era mais legal antes, daí, você começa a
desejar o desapego de tal forma a não desejar repeti-lo, claro que não se da
conta que tal período em baixa é para compensar o período em alta anterior.
Muda-se o período. Encerra-se um ciclo. Ajustamos as
velas, e novamente, o equilíbrio.
Não que eu esteja
com raiva, longe de mim, afinal, se fosse pra ter raiva de alguém, este alguém
deveria ser eu, afinal, eu permiti.
E quer saber? Não
me arrependo.





